Lennon lives forever

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Quarenta anos atrás John Lennon foi assassinado a tiros na entrada do prédio em que morava em Nova York. Eram quase onze horas da noite.

Eu não me lembro bem, tinha dez anos de idade. Curiosamente, me lembro mais da morte de Elvis Presley, quando eu tinha só sete. E sempre gostei mais de Lennon do que de Presley. E de Paul, mais do que de John.

Mas, Lennon vive. E vive em cada pai presente na criação cotidiana e rotineira de seus filhos, algo que mudou muito em intensidade, ainda que pouco em abrangência, dos anos 1970 e 1980 para cá. Na primeira reunião de pais que eu fui na escolinha infantil da minha primeira filha, em 2010, a diretora, que abria reuniões como aquela já há 25 anos, falou: fico feliz de ver tantos pais presentes, isso não era assim quando abri a escola, vinham só as mães. Nós, os pais, éramos, naquela reunião, metade dos presentes.

Eu sou o pai que eu sou por influência do pai que John Lennon foi para o segundo filho, Sean. Como diria outro Paul, o Simon, cada geração busca um ídolo nas paradas de sucesso… E John foi o pai que foi, tendo abandonado a carreira musical por cinco anos, nos primeiros cinco anos de Sean. Quando voltou para a indústria musical, ele gravou Watching the weels, um manifesto sobre os seus anos de pai-marido-dono-de-casa, que vai abaixo numa tradução livre:

O povo diz que eu tô louco

Fazendo o que eu tô fazendo

É, fica todo mundo tentando me avisar

E me poupar do fracasso

E quando eu falo que eu tô legal, todo mundo me olha de um jeito estranho

“Certeza que cê não tá feliz, cê tá fora do jogo, cara”

O povo fala que eu sou preguiçoso

Tô jogando a minha fora num sonho

E fica todo mundo querendo me dar conselhos

Feitos para me agradar

E quando eu falo para eles que eu tô numa boa vendo filminhos na parede

“Se liga, cara, não vai perder o bonde, cê parou com a brincadeira?”

Eu tô aqui parado, olhando as rodas girando, girando

É muito bom de ver elas girando, girando

E não estar mais dentro do carrossel

Eu tinha que pular fora

Ah, e o povo me pergunta

Perdido e confuso

Bom, eu respondo que não existem problemas

Só soluções 

E aí, eles negam com a cabeça e me olham como se eu tivesse ficado louco

E eu digo de volta, sem pressa, eu tô aqui na boa vendo o tempo passar

Eu tô aqui parado, olhando as rodas girando, girando

É muito bom de ver elas girando, girando

E não estar mais dentro do carrossel

Eu tinha que pular fora

Eu tinha que pular fora

Eu tinha que pular fora

Muito antes do Gelol, Lennon entendeu que não bastava ser pai, tinha que participar. Um dia, ele se deu conta de que havia sido um crápula cafajeste com Cynthia, sua primeira esposa, e Julian, seu primeiro filho. A banda era, de fato, o seu casamento e a sua prole. John, uma alma claramente transtornada, se regenerou. E foi morto quando vivia em paz. Pena que à sua paz não foi dada uma chance.

John Lennon vive, para sempre.

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