O fim de Paulo Maluf

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Agosto é o mês do cachorro louco. Dizem que há coisas que só acontecem em agosto. Na política brasileira, desde 1954 paira a sombra do suicídio de Getúlio Vargas em agosto, aliás dia 24, depois de amanhã. Não é pouca coisa um presidente eleito com forte apelo popular suicidar-se dentro do palácio do governo. Agora, hoje, outro grande episódio entra para o calendário da política brasileira: Paulo Salim Maluf perdeu o mandato de deputado federal.

Maluf tanto fez de errado que um dia, nos longínquos anos 1990, virou verbo: malufar era apoiá-lo, mas era também um sinônimo para roubar, para mal usar as verbas públicas.

Passou a vida inteira no mesmo partido, com mudanças de nome: Arena, PDS, PPR, PP; sempre o número 11. Era protegido de Costa e Silva, de quem ganhou a presidência da CEF no estado e a indicação para prefeito da capital em 1969. Mas era “adversário” de Geisel e Figueiredo, além de não ser bem recebido por outras lideranças do partido – Sarney e ACM, por exemplo, o que, se não se tratasse de Paulo Maluf, seria até um elogio. Sua candidatura à presidência em 1985 quebrou o PDS e suas administrações quebraram o município e o estado. Legou o des-governo de Pitta para a cidade de São Paulo, em cujo mandato a cidade passou alguns dias sem prefeito por brigas entre o prefeito e o vice, um cassando o outro (Marta, quando assumiu a prefeitura, pegou esse bode – mas isso é outra história).

Maluf fez mal para o país. Todos elegiam sua inteligência e sua capacidade de ação, mas ele passou a vida usando-as no mau caminho. Vai tarde, muito tarde, e não deixa saudades.

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