Entrevistas dos candidatos no JN, 2018.

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Ciro Gomes, segunda-feira, 27/8: assertivo como sempre, pode ter dado um tiro no pé ao defender cegamente do presidente do partido, mas teve lá seus bons momentos ao defender Lula e ao devolver para a imprensa os chavões que a imprensa diz que ele falou. E mais: enquanto a bancada insistiu em discutir a forma de suas falas, o candidato focou no conteúdo.

Jair Bolsonaro, terça-feira, 28/8: nadou de braçadas e disse o que quis, porque o roteiro de perguntas foi mal elaborado, focado apenas nos pontos controversos que o candidato já grita por aí; o jornal poderia ter marcado um gol se não focasse a entrevista nos temas controversos que talvez dêem mais ibope; Bolsonaro falou para os convertidos e pode, também, ter feito novas conversões.

Geraldo Alckmin, quarta-feira, 29/8: começa escorregando no linguajar complicado da medicina (“suprima a causa”- quem do povo usa ou entende o imperativo?); passa mais de 15 minutos tendo que responder sobre suspeitas de corrupção e outros 5 sobre problemas de segurança pública no estado; mais outro tanto se defendendo de atrasos em obras de transporte (20 anos de Rodoanel, metrô para a Copa de 2014 que ainda não ficou pronto…); e terminou prometendo “um grande canteiro de obras”.

Marina Silva, quinta-fera, 30/8: questionada sobre sua capacidade de liderança, invocou Itamar Franco – sério? – e afirmou que pretende fazer um governo de transição – de onde para onde?; arrepender-se do apoio a Aécio em 2014 e defender coligações estaduais com partidos tradicionais e investigados é um problema que não parece resolvido; e o foco nos processos e nos princípios, como ela reforça o tempo todo, torna as soluções mais lentas – e a bancada de entrevistadores quis pegar por aí.

Resumindo, acho que as entrevistas foram ruim, querendo mais cutucar a ferida de cada candidato do que entender como cada candidato pretende governar. Por outro lado, parece que o modo de governo de cada um dos entrevistados está bem posto: Ciro quer resolver tudo nos primeiros cem dias, Bolsonaro não tem a mínima idéia de o que fazer num cargo executivo, Alckmin começa o governo endividado com o centrão e Marina vai debater. Espremendo tudo, acho que Marina é a única com princípios claros.

Atualizando em 16/9: Fernando Haddad foi entrevistado em 14/9, sexta-feira. Ter que explicar o mensalão e o petrolão não é fácil, aliás, é impossível – nada explica o que houve a não ser a pura e simples mão grande. Acho até que ele se saiu bem ao defender que todos os indicados ao Judiciário nos governos do PT demonstram mais isenção do que partidarização, como defendeu o entrevistador.

No fim das contas, a impressão que me ficou é que os entrevistadores abordaram apenas temas polêmicos, querendo colocar o dedo nas feridas específicas de cada candidato, fazendo perguntas longas e cheias de números, mas não dando a mesma chance de resposta aos candidatos.

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