erros ortográficos

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É curiosa a quantidade de erros ortográficos que encontro lendo jornais online. Quando eu era criança e estava aprendendo a ler, tive um período de marcar com caneta vermelha os erros que encontrava no jornal que lia em Votuporanga. Era uma mistura de querer aprender a língua portuguesa com querer copiar a mãe professora.

Eu dava um desconto, claro, porque fazer um jornal diário em uma cidade pequena do interior já é, em sim mesma, uma tarefa hercúlea, do tipo 12 trabalhos em 1 dia. Já nos jornais que chegavam de São Paulo, eu não encontrava erros. Nem nos gibis da Turma da Mônica ou do Walt Disney.

Mas hoje, lendo jornais online, na tela, parece que a coisa piorou. Não sei se faltam revisores ou se falta tempo ou se sobra correria ou se tudo isso junto. Os tempos estão acelerados e vivemos uma sensação de que é melhor fazer rápido do que fazer direito. O mundo corporativo já deve ter inventado esse clichê e usado junto com outro, o bom é inimigo do ótimo.

Acho que ninguém é obrigado a saber todas regras gramaticais de cor, nem mesmo os revisores, que podem buscar socorro em dicionários e gramáticas – aos revisores, exige-se minimamente um olho clínico que enxerga algo que lhe chame a atenção, aí ele consulta e corrige se for o caso. E além disso temos corretores automáticos nos programas de digitação de textos. Porém, pode ser aí que mora o perigo.

Nos exemplos abaixo o erro final pode ter sido causado pela pouca inteligência do corretor em não perceber que o sujeito da frase estava mais distante do verbo, e o corretor fez a concordância com o substantivo mais próximo:

Folha de S. Paulo, 18/6: “Esse valor é acumulado enquanto a imagem exibida pelas emissoras de TV mostram estádios vazios.” – aqui, é a imagem que mostra estádios vazios, e não as emissoras.

Uol, 19/6: “Os supostos privilégios que o brasileiro tem na equipe incomoda muitos os demais jogadores do elenco.” – aqui os privilégios incomodam, não a equipe.

Folha de S. Paulo, 25/6: “Os depoimentos de dois funcionários, um da Vale, outro da empresa Sotreq, à comissão parlamentar de inquérito da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nesta segunda-feira (24), trouxe de volta a discussão sobre uma explosão realizada na mina Córrego do Feijão no dia do rompimento da barragem B1.” – aqui, os depoimentos trouxeram, mas o sujeito está tão distante, tem tanta coisa entre o sujeito e o verbo que é difícil acertar.

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