Poesia, sempre poesia

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OS INOCENTES DO LEBLON (1940)

Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um gama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.

São oitenta anos entre o poema e hoje.

Os inocentes continuam aí, no Leblon, na Paulista, no Pelourinho, no encontro do Negro com o Solimões, nas dunas de Natal e nas serras de Santa Catarina. Do que os inocentes não sabem? O que os inocentes não querem saber?

Há navios entrando nos portos todos os dias, milhares e trilhares de portos recebendo navios e gerando acontecimentos dos quais os inocentes, definitivamente inocentes, nada sabem – nem querem saber.

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