Sem título – porque não achei um título bom o suficiente para adjetivar negativamente a entrevista de Weintraub.

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Assisti à entrevista que o Ministro da Educação Abraham Weintraub deu à Gazeta do Povo no dia 22/11/2019.

Não foi uma tarefa fácil… A primeira coisa que me chamou a atenção foi que a entrevista é uma edição das falas do Ministro. Não sabemos o que a repórter perguntou e não temos como saber se em algum momento a repórter contra-argumentou ou questionou uma resposta do seu entrevistado. Parece – mas só parece – que não, o que já é um mau sinal numa entrevista.

Os trinta e poucos minutos de fala do Ministro são um amontoado de parvoíces, extraídas de manuais de teorias conspiratórias em que ‘eles’ mentem e atacam e ‘nós’ só podemos usar “a verdade e a ciência”, probos que somos. Coloquei entre aspas duplas porque o Ministro disse isso mesmo, a certa altura, que ele só pode usar a verdade e a ciência. De tanto que o Ministro ataca ‘eles’, fica patente que a apenas a ciência que produza a sua verdade é a que ele pode e vai usar. Porque se ‘eles’ mentem tanto, a verdade produzida pela ciência ‘deles’ não serve.

Não há, nos trinta e poucos minutos em que o Ministro fala à vontade, uma única diretriz de gestão. Nenhuma. Quando o Ministro fala em números para a repórter, ele abusa de generalidades do tipo “bilhões e bilhões” para dizer o quanto de dinheiro os governos anteriores jogaram “na privada”. “Tem país que gasta mais do que a gente”. Que país? Quanto mais? Qual o resultado? Nada…

Há um momento em que o Ministro diz que todos os indicadores da Educação, que estão caindo até 2018, sofrerão um ponto de inflexão em 2019. Ações para isso? Segundo o Ministro: descer o pau em Paulo Freire e adotar métodos científicos de alfabetização, os quais ele não cita nenhum. Isso é ação? Isso é método?

E quando diz, então, que não pretende ficar em Brasília porque tem uma casa em São Paulo, com uma jabuticabeira e um laranjeira crescendo… francamente… espremendo não dá uma gota de suco.

Aí ele cita uma medida: Future-se.  Como acreditar num programa chamado Future-se quando ele é apresentado por um homem que usa abotoaduras? E diz que elas são para “impressionar alguns”? O Ministro não consegue impressionar pela gestão nem pelas idéias. Não serão suas abotoaduras que o farão.

O que nos sobra é que o governo de Jair Bolsonaro segue firme em destruir o que quer haja em educação e em meio ambiente, onde reina outro sinistro. Estamos mal, mas muito mal mesmo. E estamos pior do que antes, quando já não estávamos tão bem assim…

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