Reais Clubes Espanhóis de Futebol

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O futebol espanhol vive uma dicotomia: dois grandes clubes disputam o campeonato,  Real Madrid e Barcelona; os outros figuram tentando se classificar para as copas europeias e, muito eventualmente, conseguem ganhar o campeonato (5 vezes nos últimos 30 anos). É como se apenas dois clubes fossem reais e todos os outros fossem fantasmas, meras aparições esporádicas nas quais é difícil acreditar. Acontece que dentre os outros clubes, há diversos que são também reais, ou Reais.

Há o Real Bétis, de Sevilha, na Andaluzia; o Real Valladolid, de Valladolid, em Castela e Leão; o Real Zaragoza, de Zaragoza, em Aragão; o Real Oviedo, de Oviedo, nas Astúrias.

Na Galícia, o Deportivo La Coruña se chama Real Club Deportivo de La Coruña. Em Murcia, está lá o Real Murcia.

Mesmo regiões espanholas que buscam – ou buscaram – autonomia política, tem os seus Reais: no País Basco, há dois: o Real Sociedad, de San Sebastián, e o Real Unión, de Irun. E na Catalunha, há um em terra, o Espanhol, ou Espanyol, ou ainda, pelo nome completo, o Reial Club Deportiu Espanyol de Barcelona, e outro em mar, nas Ilhas Baleares: Real Club Deportivo Mallorca.

Consta que foi organizado um torneio de futebol em 1902 para homenagear a coroação do Rei Afonso X, que viria a se tornar um fã do esporte. Porém, o primeiro torneio em homenagem à coroação do novo rei teve como finalistas um clube basco e um clube catalão. O futebol espanhol, naqueles primórdios do século XX, era muito forte em regiões antimonarquistas. Para fortalecer os clubes das outras regiões espanholas, o monarca permitiu o uso da coroa nos distintivos e o do nome adjetivo ‘real’ antes de seus nomes. Uma jogada de marketing esportivo-político, antes da invenção do próprio marketing…

A Copa do Rei continua existindo até hoje. É mais antiga do que o Campeonato Espanhol. Foi chamada de Copa do Generalíssimo, durante a ditadura do general Franco. Das suas 114 edições, clubes bascos e catalães a venceram 63 vezes (55%) e o Barcelona foi campeão 30 vezes (26%).

Latinos são personalistas, logo não é de se estranhar a importância de um torneio que homenageie o rei, símbolo maior do poder mais personalista que há. Daí a quantidade de times de futebol com o adjetivo ‘real’ no nome e a imagem de uma coroa no distintivo.

Mas só o Real Madrid é Real. Aliás, é O Real.


Para a história da Copa do Rei, na Revista Placar: https://veja.abril.com.br/placar/por-que-a-maioria-dos-escudos-dos-times-da-espanha-tem-a-coroa-no-desenho/

 

 

 

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