Bolsa família que segue…

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“Até 2022, no meu governo, está proibido falar a palavra Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família. E ponto final” é o que leio em reportagem de hoje na Folha de S. Paulo sob a manchete “Bolsonaro anuncia desistência do Renda Brasil e ameaça cartão vermelho na equipe”.

Depois de ter ganhado do Congresso o presente do auxílio emergencial que elevou o nível de aprovação ao seu governo, o presidente decreta o seu fim. Não sabemos até quando, claro, afinal este é um governo de bravatas típicas do homem machão atrás do revólver. É o governo do troglodita armado que navega conforme o vento lhe infla a vela.

Quando o auxílio emergencial caiu no seu colo, o governo fez um muxoxo de quem era obrigado a pagar o que não queria. Meses depois, ensaiou transformar o emergencial em definitivo, com outro nome para não estender um programa integralmente identificado com o governo petista, ainda que sua gênese tenha sido tucana. Ao fim, coloca um ponto final no que seria o Renda Brasil para ficar só com o Bolsa Família, dando novo sentido ao famigerado “acabou, porra!”, outra bravata.

O que aconteceu? O governo bateu cabeça. E estava claro que era isso que ia acontecer, porque é exatamente isso que vem acontecendo desde janeiro de 2019 e vai continuar acontecendo até dezembro de 2022, quando, espero!, findará o desgoverno que ocupa Brasília e irradia irresponsabilidade para todos os cantos do país.

Uma característica que esteva nítida já na campanha eleitoral era o desprezo que o então candidato Bolsonaro nutria pelo estudo, pelo conhecimento, pela ciência, pela academia. A primeira entrevista como eleito, expondo um livro de Olavo de Carvalho, um notório detrator das universidades brasileiras, cristalizou essa postura. E a balbúrdia com que os ministros de sucederam no MEC colocou em prática a raiva que o governo sente de quem estuda e produz conhecimento no Brasil.

Se há uma diferença entre o desgoverno de hoje e os governos de FHC, de Lula e de Dilma é que os anteriores não só respeitavam as universidades como traziam para trabalhar consigo os melhores pesquisadores que as universidades brasileiras conseguem formar. As políticas públicas eram pensadas com base no trabalho prévio de pesquisa séria e dedicada dos estudiosos de cada um dos temas nos quais o governo se interessa em agir. E conhecimento, aliado à disciplina e à capacidade de atuação do executivo federal faz diferença.

Um caso emblemático é justamente o Bolsa Família, programa que nasceu da avaliação, manutenção e redesenho de iniciativas do governo anterior. Hoje, o programa é plenamente estudado e reavaliado em pesquisas acadêmicas na universidade brasileira e via de regra tem seus resultados positivos comprovados, principalmente em pequenas cidades.

O que está faltando agora no desgoverno é justamente o que possibilitou o nascimento do programa: cabeças pensantes. Pensar é ir além de declamar platitudes em palestras e enxergar muito além de cuspir bravatas nos microfones dos jornalistas. Pensar, relacionar, deduzir, inferir, planejar, revisar, implementar e avaliar são ações que, no Brasil, mesmo quem estuda muito tem dificuldade para fazer. Já para quem estuda mas não valoriza o estudo é quase impossível. Para quem não estuda e desvaloriza o estudo, aí, meu chapa, sem chance…

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